12.11.2016  

amargamente

E dói. A reforma íntima é um incessante esforço de busca interior. Hoje, amargamente, terminei comigo. Encerrei dentro de mim um processo de auto-flagelação, uma escolha decidida de que as coisas como estão não são como deveriam ser. O livro de lágrimas pesadas um dia haveria de terminar: os capítulos mais duros de seu ápice foram suficientes para concederem à protagonista uma chance de redenção.

A dor tem sabor amargo, sabe. Te faz perder tempo. O desenrolar das nossas histórias é natural e enquanto o enredo segue o compasso do relógio, a vida se escreve em linhas tortas. Mas são as palavras que realmente importam, muito mais que o número de páginas e de personagens criados. Aquilo que está escrito sobre o que você é, o que você quer, o que você fez, o que você sente e o que você pensa é tão essencial para o fim da história quanto para a sua continuação. Os capítulos se iniciam, se desenvolvem, se cessam… dentro deles dormem silenciosas as diretrizes dos parágrafos futuros. Um futuro grato pelo passado escrito.

Hoje, amargamente, este capítulo de dor teve de se encerrar. Muitas vezes no curso natural da escrita, o fluxo de pensamento é o que dá o tom da história. São ações alimentadas por pensamentos doloridos, versões e versões de um protagonista que anda, bebe, come, beija, narra, guia, vê, trabalha, senta, deita, lava, dorme, lê, abraça e sente, controlado cegamente por um ciclo venenoso de emoções. No meio do parágrafo (ou do verso), entretanto, aparecem de maneira sutil as chances de se colocar, abruptamente, um ponto final. É, dentro do fluxo, a decisão fundamental de encerramento: a escolha de cessar o capítulo, pois sua história já está fatigada e inexpressiva.

Os capítulos de dor e lágrimas da minha história descrevem, juntos, um livro importante de crescimento. Hoje, amargamente, decidi que sem o final, um novo capítulo num novo livro não seria possível. O desejo de novas palavras, novas versões e novas linhas é maior e muito mais pungente que o de permanência do presente em rascunho. Havia de terminar. Tinha de encerrar.

Hoje, amargamente, descrevo as linhas de um novo parágrafo. Um em que eu, decididamente, escolhi ser feliz.

Aqui embaixo tem amor:

Divulgue seus posts!