eternal sunshine of the spotless mind

_Two Blue Ruins.

_Thank you.

_Drink up, young man. It’ll make the whole seduction part less repugnant……I’m just kidding! Come on. You’re kinda closed-mouthed, aren’t you?

_I’m sorry. It’s just, you know, my life isn’t that interesting. I go to work, I come home. Don’t know what to say. You should read my journal. I mean, it’s just… blank.

_Really? Does that make you sad or anxious? I mean, I’m always anxious, thinking I’m not living my life to the fullest, taking advantage of every possibility, making sure I’m not wasting one second of the little time I have.

_I think about that.

_Yeah? You’re really nice.

“Eternal Sunshine of The Spotless Mind” script.

sobre a procrastinação

E digo mais: essa é uma reflexão sobre a preguiça.

The Death of Bara, Oil On Canvas by Jacques Louis David (1748-1800, France)

 

Não consigo levantar sem sentir o peso da má vontade. Todo dia acordo com a sensação latente de “não quero fazer”, “não sirvo pra isso”, “hoje não”, como se o destino quisesse dizer – ou confirmar – que tudo aquilo que precisa de melhoramentos em mim vai continuar como está. Entenda uma coisa: eu não sou feita de rotina, muito menos de organização. O meu problema é maior, muito maior do que ter uma lista de tarefas inversamente proporcional à vontade de fazê-las: a minha procrastinação é crônica.

Ando desmemoriada. O meu cérebro parece deletar as informações que não são tão interessantes (preguiça de pensar, eu diria, até nisso). Meus pensamentos procrastinam até a própria sedimentação. Deixa pra depois. Ando esquecida. As vontades? Estão em segundo plano. Este texto? Não sei nem porque escrevo, acho que é porque é agora, se fosse deixar pra depois ele não seria. Nada aqui está sendo ultimamente. Nada disso faz muito sentido também, pois que agora eu deveria estar procrastinando e não estou, talvez isso seja uma luz no fim do túnel.

Ando sem ânimo. Levantar pra vida está sendo enfadonho, moroso, sem graça. Me chamem de covarde. Por não enfrentar nem a mim mesma, me faço de refém. Refém dessa minha intrínseca maneira de ser não sendo, de só protelar e no final nada sai do jeito que eu espero. Talvez esse será o grande legado da minha vida, deixo tanto pra depois que um dia vou morrer esquecendo.

Estou vivendo a fase do desgosto. Do desgosto que no fundo, é gostoso de sentir. Que vítima de si mesmo não gosta do sentimento de se sentir menor do que tudo? Tudo é mais que o eu. Tudo é maior do que eu posso fazer, então eu não faço. Você me entende? Você consegue entender que o dia que vivo hoje ou o dia que viverei amanhã ou o dia que vivi ontem ou o dia do futuro ou o dia por si só não fazem muita diferença já que, se não posso protelar o tempo, protelo o viver?

Essa é uma reflexão sobre protelar.

Sobre espreguiçar.

Minha vida anda espreguiçada. Parou encostada na sobrevivência. Devo ter até preguiça de sobreviver, o estado de vegetação ainda não me apetece porque a chaga da auto-culpa ainda não foi eliminada. Será esta a minha sina ou a minha salvação? A auto-culpa me levará à redenção que vem da coragem de ser, fazer e viver? Não sei, tenho preguiça de pensar nisso. Deixa pra depois. Ando esquecida.

Isso tudo é tudo isso, ao mesmo tempo que nada é. Pois digo que minto. Isso é sinceridade, ao menos isso. Pode até soar depressivo, se você me lê, mas você há de convir que a sinceridade leva ao primeiro passo de qualquer coisa que se levante, mas se tenho preguiça até de mim mesma, como consigo colocar dois pés no chão sem sentir a pressão nos joelhos?

Você me entende?

Estou me fazendo de desentendida?

A única coisa que não procrastino é a própria procrastinação, já que essa característica parece ter me pegado de jeito como quando a gente pega aquela gripe que não sara ou aquele amor que dói mas aquece o coração. A minha preguiça é minha amante, dançamos nos sonhos a noite e ela me diz doces palavras no ouvido, “vai ficar tudo bem”, “não vejo problema nisso”, “eles não te compreendem”, “no fim vai dar tudo certo”, me enchendo o peito de ilusão e enfraquecendo qualquer outro sentimento que venha a querer lhe combater. Como eu disse, às vezes a auto-culpa duela e vence, mas nada mais é que um joguinho sórdido da preguiça que vê mais contento no mal-fazer que na vegetação, posto que se eu vegetasse ela perderia sua marionete. Daí vou mal-fazendo, mal-dizendo, mal-vivendo, a única coisa bem sucedida que ando presenciando em mim mesma é a própria manifestação da má vontade.

A auto-culpa aparece vez em quando, talvez seja ela dizendo que toda fênix renasce um dia das cinzas e que tudo tem jeito e que tudo funciona se a gente quiser e que querer é poder e que o eu é mais que tudo e que nada é maior que nada e que a preguiça não é minha dona e que a vida não é pra ser não vivida e que os dias que passam não voltam e que essa conduta não leva a nada e que a coragem é só questão de ser da mesma forma que a preguiça é e que eu tenho que ter ânimo e que eu tenho que sair dessa e que eu nem sei porque eu tô nessa e que se a fênix renasce é porque ela assim quis fazer, mas nem sou pássaro, nem ainda cheguei nas cinzas.

Será que a perdição é o viver não vivendo e o ser não sendo ou será a minha salvação eu me esquecer de tudo isso?

da solidão

de desfrutar a solidão,

A heart that’s full up like a landfill
A job that slowly kills you
Bruises that won’t heal

You look so tired and unhappy
Bring down the government
They don’t, they don’t speak for us
I’ll take a quiet life
A handshake of carbon monoxide

No alarms and no surprises

please

Porque todos nós somos um pouco Walter Mitty

Não se preocupe, esse texto não contém spoilers.
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Eu sempre tive um pouco de receio quando atores de comédia resolvem fazer drama, mas isso foi aos poucos se perdendo quando passei a dar um crédito a mais a essas pessoas. Ben Stiller é uma delas. No seu genial A Vida Secreta de Walter Mitty, Ben dirige com muita sensibilidade o desenrolar da mudança pessoal vivida por Walter em suas andanças pelo mundo.

Eu tenho medo de avião. Muito medo. Então voltar do intercâmbio e pegar um vôo de 9h e 40min de Lisboa até Brasília não foi nada fácil, rs. Felizmente, Ben me apresentou um filme que me fez esquecer do medo pra mergulhar na história de Walter e acabar percebendo que todos nós temos um pouco da personagem. Tudo o que eu enfrentei no meu intercâmbio me fez conectar muito profundamente com a personagem. Todos nós somos, de algum modo, um pouco Walter Mitty.

Eis o porquê:

Vivemos na zona de conforto

Nossa vida é pacata, rotineira, organizada até na desordem. Temos tarefas, responsabilidades, e compromissos que, em muitos casos, ocupam o nosso tempo e nos impossibilitam de viver as grandes histórias que queremos viver. Não tomamos riscos, seja por estarmos tranquilos aonde estamos (e muitas vezes perdendo a chance de termos grandes aprendizados); seja por termos o medo de que tudo tragicamente mudará aquilo que nos é certo, virará nossa vida de cabeça pra baixo e de que a mudança pode nunca ter volta.

Nossa mente é nossa válvula de escape

Sonhamos acordados, criamos expectativas, forjamos situações que nunca acontecerão. A criatividade e a imaginação são a brecha para que as nossas vontades – se não podem ser reais – criem casa no meio da rotina chata, da vida infeliz, do relacionamento sem cor. A zona de conforto nem sempre é confortável, ainda há aquilo em nós que deseja o diferente, o romance mais bonito, a cena de ação mais alucinante, aquela ideia brilhante que vai salvar a todos. Se nada disso passa pelo crivo da lógica e da realidade, não há problema, há um espaço na nossa mente pra criar tudo isso e mais um pouco, como uma válvula de escape pra vida que a gente considera sem graça.

Quando temos determinação, vamos longe

Perseverança e coragem são sentimentos que todos nós temos; todos nós. No entanto, nem sempre temos disciplina ou um objetivo claro, uma vontade real que nos diga onde queremos chegar, o que queremos ser. É normal. Quando esse objetivo surge, motivado pelo que for, e a vida parece não fazer mais sentido sem que atinjamos aquele desejo, essas forças que até então desconhecíamos insurgem e nos fazem lutar. Movemos montanhas, criamos espaços, saímos da zona de conforto para tentar atingir aquilo que talvez seja inatingível, mas que queremos tanto. E o verdadeiro ganho de tudo isso muitas vezes não é o prêmio da conquista, mas a jornada que se caminha e se cresce até chegar lá.

Temos medo do desconhecido

É o que nos faz viver na zona de conforto. É o que é vencido quando temos real motivação. O medo do desconhecido é como andar cegos, sem guia, varando sem rumo, sem saber as consequências, vivendo por completo a impulsividade. É o medo de falhar. É o medo do insucesso. É o medo da morte. É o medo de ser melhor. É o medo de se olhar. É o medo de se vencer. É o medo de se doar. É o medo de acreditar. É o medo de ter fé. É o medo de arriscar. É o medo da frustração. É o medo da derrota. É o medo de merecer. É o medo de ter culpa. É o medo de abnegar. É o medo da renúncia. É o medo de desbravar. É o medo de se fortalecer. É o medo do medo. É o medo de saber que tudo isso pode não ser nada disso.

Quando a gente se abre, a vida mostra o que tem de melhor

Quando o medo fica em segundo plano e a coragem de ser o que a gente quer ser e de ir atrás dos nossos sonhos norteia as nossas escolhas, a vida nos retribui com largos aprendizados. Isso não significa vitórias da forma como esperamos; ela nos fornece novas formas de ver as mesmas coisas, novas experiências que vão lapidando aquilo que já temos de bom e que só faltava um esforço pra gente perceber. Quando a gente se abre pro desconhecido, a vida mostra que até a zona de conforto pode ser diferente se você vê diferente.

Somos muito mais do que imaginamos ser

Costumo dizer isso pras pessoas e adoto isso como um mantra pra minha vida. Como meu poema favorito diz: “para ser grande, sê inteiro: nada / teu exagera ou exclui”. Somos inteiros, mas não nos damos conta disso. Somos muito mais do que acreditamos ser. Sempre podemos mais do que pensamos poder. Acredito piamente na força do pensamento, nas realizações que fazemos de nós mesmos: somos autores da nossa felicidade, escritores da nossa história e somos completos. Temos todas as ferramentas para nos realizarmos de que aquilo que queremos ser já está em nós. Entretanto, estamos ainda inconscientes para o fato de que é preciso buscar dentro de si essas virtudes, burilar os defeitos. A busca íntima é complexa, mas, como dito agora há pouco, é preciso se abrir pra se perceber que o melhor já está dentro da gente. Somos muito, muito mais do que imaginamos ser.

Se você ainda não viu o longa, não perca tempo e vá ver. Talvez ele seja uma grande lição pra você como foi pra mim. Você pode ver o trailer aqui

23 outras impressões além mar

1. Não existem cachorros de rua na Hungria. A venda de filhotes é controlada e os animais são castrados. Sempre estão com coleiras e acompanhados de seus donos;

2. Cachorro ou gato, não importa o tamanho, vai ser seu companheiro no trem durante longas viagens;

3. Andar desavisada na via para ciclistas é pedir para ser xingada (e atropelada, sem dó);

4. As moscas são lentas, grandes e pesadas, voam baixo e enchem muito o saco nas noites de sono;

5. Joaninhas são animais comuns aqui. Já vi várias, de diferentes cores e tamanhos;

6. Húngaro AMA uma fonte. Em qualquer cidade, por menor que seja, sempre vai ter uma fonte com uma estátua bonita;

7. Mendigos, muitos. Muitos mendigos. Mendigos demais.

8. O chuveiro brasileiro é quase uma criação alienígena para os europeus. Eles preferem banhar com mangueirinha;

9. Alguns europeus realmente não tomam banho, mesmo no verão;

10. Duas realidades podem ser completamente diferentes e estarem na mesma cidade: a liberdade e a prisão;

11. As duas frases mais faladas no campo de refugiados são: “NAM PROBLEMA” e “FINISHH” (aqui escritas da forma como se fala);

12. Os estereótipos sobre os países do Oriente Médio ficam todos no chinelo quando se conhece melhor as pessoas;

13. E alguns outros estereótipos são confirmados dependendo do indivíduo que se conversa;

14. Crianças são capazes de entender qualquer coisa, e muito rápido;

15. O mimiquês bem treinado ainda é a língua mais falada no mundo;

16. Sentir um apreço muito grande por uma pessoa que você nunca tinha falado antes, mas dividiu uma vida com você em poucos dias;

17. Húngaros que não falam inglês QUASE NUNCA se darão ao trabalho de tentar te ajudar;

18. O atendimento europeu é assim, sabe, meio rude;

19. Evitar, de todas as maneiras, comer comida húngara e ter no Burguer King o seu melhor amigo;

20. Esquecer a sacola todas as vezes que for no supermercado e descobrir as verduras e carnes mais aliens do universo;

21. Não existe mortadela pra se fatiar; aquelas em formato de um salsichão, sabe as da Turma da Mônica? Poisé, não tem. Nem leite condensado. Aliás, eles nem sabem o que é leite condensado. Carne moída de vaca? Também não.

22. Semente de girassol é um lanchinho nutritivo e universal. Gente do mundo todo, de diferentes culturas, comem e dividem entre si.

23. O facebook árabe ou persa é formatado da direita pra esquerda. Imagina o seu facebook espelhado: é bem assim.

A caminho de uma nova viagem

Pegar trem, sozinha, num lugar em que alguns falam inglês é um desastre… que acaba dando certo no final.

Estou num trem a caminho de Debrecen, a cidade em que vou morar durante 5 semanas de intercâmbio. Deixo Budapeste pra trás e, meu Deus, que cidade linda! Especialmente à noite 🙂

Acabei de ter uma mini-situ-conflituosa com uma família húngara porque eles todos queriam descobrir seus lugares e achavam que eu estava num deles (mas não estava, eu pergunto mil vezes a mesma informação pra pessoas diferentes pra ter certeza kkkk). Gente, que difícil! Ver eles sorrindo e rindo porque eu não entendia nada. Tô graduando em mimiquês aqui!!

Estou postando do celular pra dar um alô mesmo, pra minha mãe não achar que murri. Hahah

Deixo aí algumas das minhas fotos favoritas de Budapeste.
Beijo no coração, volto com notícias de Debrecen!

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as fotos sumiram :/

23 primeiras impressões além mar

1. A fila para checar o passaporte sempre será imensa;

2. Mesmo que não haja carros na rua, as pessoas esperam o sinal para pedestres ficar verde para atravessar;

3. As mulheres ficam de biquini em parques e tomam sol;

4. Os restaurantes servem comida esquentada e não feita  na hora (salvo raras exceções);

5. E algumas carnes ficam em bandejas, cruas, pra você pegar a quantidade que quiser e entregar pro churrasqueiro assar;

6. Água pode ter o sabor que você quiser, inclusive o de água mesmo. Dá até pra escolher entre gaseificada, médio-gaseificada e natural;

7. As casas não possuem ralos e muito menos rodos;

8. A arquitetura é linda, antiga e detalhista. Todo prédio vale uma foto, mesmo os mais empoeirados;

9. Olá e Tchau são a mesma coisa: “szia” (pronuncia-se “see ya”);

10. Assim como “Com licença” e “Desculpe”: “elnézést” (pronuncia-se “élézixxt”);

11. Os banheiros não possuem latas de lixo (e se você diz que no Brasil tem, escuta um “urrrghh”);

12. As construções são impressionantemente grandes e cheias de história, cada pedacinho tem algo a dizer;

13. Ter medo de andar e se perder;

14. Estudante é estudante húngaro e a sua carteira de estudante internacional não vale muita coisa;

15. Todo lugar na Europa tem um restaurante turco que fica aberto 24h, salvando vidas esfomeadas;

16. Há mais Spars por metro quadrado do que qualquer outra coisa em Budapeste;

17. Atendente de supermercado é carrancudo em qualquer lugar do mundo;

18. Ter uma moeda com muitos zeros é muito difícil de entender;

19. Sempre pode ter um camelô logo no subsolo abaixo de um shopping chique;

20. Nem todo mundo sabe falar inglês, mas pra ajudar sempre tem um que tenta;

21. Os gringos são mesmo bonitos e usam muitas bermudas coloridas meio curtas, com as barras dobradas;

21. O corte de cabelo masculino da moda europeia é “rapado dos lados e jogado pro lado”;

22. E que a saudade só aperta porque você tem motivos para amar 🙂

Rafaella no coração dos magiares

Estou ensaiando este texto desde o dia em que comprei minhas passagens com destino à Budapeste. A gente que é goiano de pé rachado e nunca viu um avião internacional na vida, se enche de dúvidas e questionamentos sobre como deve ser o mundo além fronteiras brasileiras.

São só 2 meses de viagem, mas o coração tá acelerado. O quanto se pode aprender em um intercâmbio de 6 semanas? O quão se pode conhecer do mundo em 60 dias?

Recebi um email de Manasi, uma indiana que também é intercambista do projeto, tão cheia de dúvidas quanto eu. Estamos conversando, ansiosas de trabalharmos juntas em Debrecen. Aos que ainda não estão inteirados, iremos trabalhar em um campo de refugiados administrado pelo escritório de imigração da Hungria, em Debrecen. Posso dizer que em alguns metros quadrados terei a oportunidade de conhecer mais do mundo, eu espero.

Tô com medo de ler tudo em Húngaro e não entender; tô treinando mimiquês pra falar com as famílias árabes que moram no campo; tô segurando as bica pra não gastar a toa e poder viajar o máximo que puder (carpe diem enquanto o dinheiro suado permite); tô ansiosa pra ver qualequié a do Chico Buarque sobre Budapeste; mas tô bem mais ansiosa pra ser um impacto na vida de alguém, pra receber conhecimento e ensinar, se eu puder.

Daqui uns dias estou indo e pra quem tá curioso, como eu, pra saber o que vai ser de mim no coração da Hungria, um outro intercambista que já fez o mesmo projeto pela AIESEC deixou sua contribuição bem aqui: http://experience.aiesectoronto.com/?p=257. Tá em inglês, mas nada que um tradutor não resolva.

Depois de ler isso fiquei bem mais ansiosa, se posso dizer 🙂

Vou registrar aqui as minhas experiências do intercâmbio, assim nada fica perdido em posts aleatórios no Facebook e no Instagram.

Viszlát!

20 dicas para você ser um bom machista

Você aí, ser humano de qualquer espécie, qualidade, gênero, beleza e vontade, que quer andar pelas ruas provando a superioridade dos genes XY, execute todas as dicas selecionadas aqui e você obterá sucesso total em sua missão!

  1. Quando estiver no ônibus/metrô/trem/avião/rua, faça questão de esbarrar sua genitália – seja ela qual for – nas nádegas da mulher mais próxima, apenas para satisfazer seu prazer. (Selecione. Machistas selecionam, se for a sua mãe, não pode fazer. PERMANEÇA NO IDEAL!)
  2. Se ver qualquer mulher na rua, grite sem mostrar qualquer vergonha: “quero te comer, gostosa”. Espere os aplausos machistas depois. You go, bro!
  3. Se qualquer mulher lhe preparar uma refeição deliciosa, agradeça e cumprimente com um convicente e afável “tá pronta pra casar, hein”. (OBS.: Se ela for casada, troque por “não fez mais que sua obrigação”)
  4. Se ouvir uma fofoquinha básica sobre fulano que traiu fulana, comente que o homem procura na rua o que não tem em casa. Os tempos estão mesmo difíceis
  5. Faça questão de pregar a moral e os bons costumes ao ensinar seus filhos “homens heterossexuais do sexo masculino” que “homem não chora”. “Bicha” chora, mas bicha não é homem.
  6. Não se esqueça de abordar que é um DESRESPEITO EM CAPS LOCK homens serem “empregados domésticos”, pelo simples fato de que é “tarefa de mulher” saber cuidar de uma casa.
  7. NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, dê uma boneca para seu filho brincar quando for criança.
  8. Há uma moça andando na rua, “de saia, de bicicletinha, uma mão vai no guidão e a outra tapando a calcinha”. Aproveite para cantar este mantra enquanto pragueja o quanto as mulheres não se dão ao respeito.
  9. Aproveite! No item 8, pense/diga/aja (depende da corági) no quanto elas merecem ser estupradas por isso. Pode bater também, por qualquer motivo. Cadê o decoro nessa sociedade, cabô?
  10. Uma moça qualquer quer dividir a conta com você. Não deixe (todas as vezes). Já que você não pode impedi-la de trabalhar (dica bônus: se puder, FAÇA), diga carinhosamente que sua renda é para investir em produtos de beleza e emagrecimento.
  11. Sua esposa tem obrigação de transar com você sempre que você quiser. Lembre-se de manter a santidade reprodutora do casamento. Ela está ali ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE para lhe satisfazer.
  12. Sexo antes do casamento, oi? Fora de cogitação. (OBS 1: Válido somente para mulheres. Se for homem, MANTENHA-SE NO IDEAL. Ensine suas filhas. OBS 2: Toda e qualquer mulher que não seja virgem entra na categoria: pagã [ou vadia, em 2014])
  13. Ao ver um protesto feminista, NÃO HESITE. Eles estão aí pra te confundir. Poste na sua rede social favorita o quanto as russas ficam bonitas com os peitos de fora e que “mulher boa é mulher calada”. Se quiser aumentar o poder do seu machismo, diga que são “tudo mal comida”.
  14. Aliás, “tudo mal comida” e suas variações é uma frase que você pode usar sempre. Mulher gay? Mal comida. Homem gay? A mãe era mal comida. Reclamou do marido provedor da moral e dos bons costumes? Mal comida. É seu dever fazer elas serem bem comidas
  15. Toda mulher loira é burra. Não há exceção. Se o cabelo for de outra cor também. (OBS.: Não é válido para mães ou avós, só a dos outros.)
  16. Toda mulher é desprovida de capacidade de trocar um pneu de carro, trocar uma lâmpada, montar um móvel, insira aqui alguma tarefa aparentemente masculina. Sempre ofereça sua ajuda. Mas a ajuda não é para ser cordial, é mais um “toma me dá que você não sabe fazer”. E elas não sabem mesmo.
  17. Mulher que não quer ter filhos é um desperdício da existência. Pra quê #ppk se não vai usar? ALGUÉM tem que reproduzir o nome da família (e ler essa lista)
  18. Repita: MULHER NO VOLANTE, PERIGO CONSTANTE. Mulher no volante, perigo constante. Mulher no volante…
  19. https://www.facebook.com/SouMachistaSimEDai/posts/411774815598648?stream_ref=10. LEIA. Não deixe de ler.
  20. Machismo bom é machismo consistente. Repita os passos diversas e diversas vezes. Se alguma mulher titubear ou quiser contestar seus passos, volte ao passo 14 e o refaça.

 

Lembre-se: MANTENHA-SE NO SEU IDEAL. Liberdade de expressão e opressão SÃO a mesma coisa, bro!
Seguindo estes e outros passos você continuará perpetuando os valores da supremacia XY que construíram a nossa sociedade! Não desista, a esperança é a última que morre 🙂