Porque todos nós somos um pouco Walter Mitty

Não se preocupe, esse texto não contém spoilers.
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Eu sempre tive um pouco de receio quando atores de comédia resolvem fazer drama, mas isso foi aos poucos se perdendo quando passei a dar um crédito a mais a essas pessoas. Ben Stiller é uma delas. No seu genial A Vida Secreta de Walter Mitty, Ben dirige com muita sensibilidade o desenrolar da mudança pessoal vivida por Walter em suas andanças pelo mundo.

Eu tenho medo de avião. Muito medo. Então voltar do intercâmbio e pegar um vôo de 9h e 40min de Lisboa até Brasília não foi nada fácil, rs. Felizmente, Ben me apresentou um filme que me fez esquecer do medo pra mergulhar na história de Walter e acabar percebendo que todos nós temos um pouco da personagem. Tudo o que eu enfrentei no meu intercâmbio me fez conectar muito profundamente com a personagem. Todos nós somos, de algum modo, um pouco Walter Mitty.

Eis o porquê:

Vivemos na zona de conforto

Nossa vida é pacata, rotineira, organizada até na desordem. Temos tarefas, responsabilidades, e compromissos que, em muitos casos, ocupam o nosso tempo e nos impossibilitam de viver as grandes histórias que queremos viver. Não tomamos riscos, seja por estarmos tranquilos aonde estamos (e muitas vezes perdendo a chance de termos grandes aprendizados); seja por termos o medo de que tudo tragicamente mudará aquilo que nos é certo, virará nossa vida de cabeça pra baixo e de que a mudança pode nunca ter volta.

Nossa mente é nossa válvula de escape

Sonhamos acordados, criamos expectativas, forjamos situações que nunca acontecerão. A criatividade e a imaginação são a brecha para que as nossas vontades – se não podem ser reais – criem casa no meio da rotina chata, da vida infeliz, do relacionamento sem cor. A zona de conforto nem sempre é confortável, ainda há aquilo em nós que deseja o diferente, o romance mais bonito, a cena de ação mais alucinante, aquela ideia brilhante que vai salvar a todos. Se nada disso passa pelo crivo da lógica e da realidade, não há problema, há um espaço na nossa mente pra criar tudo isso e mais um pouco, como uma válvula de escape pra vida que a gente considera sem graça.

Quando temos determinação, vamos longe

Perseverança e coragem são sentimentos que todos nós temos; todos nós. No entanto, nem sempre temos disciplina ou um objetivo claro, uma vontade real que nos diga onde queremos chegar, o que queremos ser. É normal. Quando esse objetivo surge, motivado pelo que for, e a vida parece não fazer mais sentido sem que atinjamos aquele desejo, essas forças que até então desconhecíamos insurgem e nos fazem lutar. Movemos montanhas, criamos espaços, saímos da zona de conforto para tentar atingir aquilo que talvez seja inatingível, mas que queremos tanto. E o verdadeiro ganho de tudo isso muitas vezes não é o prêmio da conquista, mas a jornada que se caminha e se cresce até chegar lá.

Temos medo do desconhecido

É o que nos faz viver na zona de conforto. É o que é vencido quando temos real motivação. O medo do desconhecido é como andar cegos, sem guia, varando sem rumo, sem saber as consequências, vivendo por completo a impulsividade. É o medo de falhar. É o medo do insucesso. É o medo da morte. É o medo de ser melhor. É o medo de se olhar. É o medo de se vencer. É o medo de se doar. É o medo de acreditar. É o medo de ter fé. É o medo de arriscar. É o medo da frustração. É o medo da derrota. É o medo de merecer. É o medo de ter culpa. É o medo de abnegar. É o medo da renúncia. É o medo de desbravar. É o medo de se fortalecer. É o medo do medo. É o medo de saber que tudo isso pode não ser nada disso.

Quando a gente se abre, a vida mostra o que tem de melhor

Quando o medo fica em segundo plano e a coragem de ser o que a gente quer ser e de ir atrás dos nossos sonhos norteia as nossas escolhas, a vida nos retribui com largos aprendizados. Isso não significa vitórias da forma como esperamos; ela nos fornece novas formas de ver as mesmas coisas, novas experiências que vão lapidando aquilo que já temos de bom e que só faltava um esforço pra gente perceber. Quando a gente se abre pro desconhecido, a vida mostra que até a zona de conforto pode ser diferente se você vê diferente.

Somos muito mais do que imaginamos ser

Costumo dizer isso pras pessoas e adoto isso como um mantra pra minha vida. Como meu poema favorito diz: “para ser grande, sê inteiro: nada / teu exagera ou exclui”. Somos inteiros, mas não nos damos conta disso. Somos muito mais do que acreditamos ser. Sempre podemos mais do que pensamos poder. Acredito piamente na força do pensamento, nas realizações que fazemos de nós mesmos: somos autores da nossa felicidade, escritores da nossa história e somos completos. Temos todas as ferramentas para nos realizarmos de que aquilo que queremos ser já está em nós. Entretanto, estamos ainda inconscientes para o fato de que é preciso buscar dentro de si essas virtudes, burilar os defeitos. A busca íntima é complexa, mas, como dito agora há pouco, é preciso se abrir pra se perceber que o melhor já está dentro da gente. Somos muito, muito mais do que imaginamos ser.

Se você ainda não viu o longa, não perca tempo e vá ver. Talvez ele seja uma grande lição pra você como foi pra mim. Você pode ver o trailer aqui

23 outras impressões além mar

1. Não existem cachorros de rua na Hungria. A venda de filhotes é controlada e os animais são castrados. Sempre estão com coleiras e acompanhados de seus donos;

2. Cachorro ou gato, não importa o tamanho, vai ser seu companheiro no trem durante longas viagens;

3. Andar desavisada na via para ciclistas é pedir para ser xingada (e atropelada, sem dó);

4. As moscas são lentas, grandes e pesadas, voam baixo e enchem muito o saco nas noites de sono;

5. Joaninhas são animais comuns aqui. Já vi várias, de diferentes cores e tamanhos;

6. Húngaro AMA uma fonte. Em qualquer cidade, por menor que seja, sempre vai ter uma fonte com uma estátua bonita;

7. Mendigos, muitos. Muitos mendigos. Mendigos demais.

8. O chuveiro brasileiro é quase uma criação alienígena para os europeus. Eles preferem banhar com mangueirinha;

9. Alguns europeus realmente não tomam banho, mesmo no verão;

10. Duas realidades podem ser completamente diferentes e estarem na mesma cidade: a liberdade e a prisão;

11. As duas frases mais faladas no campo de refugiados são: “NAM PROBLEMA” e “FINISHH” (aqui escritas da forma como se fala);

12. Os estereótipos sobre os países do Oriente Médio ficam todos no chinelo quando se conhece melhor as pessoas;

13. E alguns outros estereótipos são confirmados dependendo do indivíduo que se conversa;

14. Crianças são capazes de entender qualquer coisa, e muito rápido;

15. O mimiquês bem treinado ainda é a língua mais falada no mundo;

16. Sentir um apreço muito grande por uma pessoa que você nunca tinha falado antes, mas dividiu uma vida com você em poucos dias;

17. Húngaros que não falam inglês QUASE NUNCA se darão ao trabalho de tentar te ajudar;

18. O atendimento europeu é assim, sabe, meio rude;

19. Evitar, de todas as maneiras, comer comida húngara e ter no Burguer King o seu melhor amigo;

20. Esquecer a sacola todas as vezes que for no supermercado e descobrir as verduras e carnes mais aliens do universo;

21. Não existe mortadela pra se fatiar; aquelas em formato de um salsichão, sabe as da Turma da Mônica? Poisé, não tem. Nem leite condensado. Aliás, eles nem sabem o que é leite condensado. Carne moída de vaca? Também não.

22. Semente de girassol é um lanchinho nutritivo e universal. Gente do mundo todo, de diferentes culturas, comem e dividem entre si.

23. O facebook árabe ou persa é formatado da direita pra esquerda. Imagina o seu facebook espelhado: é bem assim.

A caminho de uma nova viagem

Pegar trem, sozinha, num lugar em que alguns falam inglês é um desastre… que acaba dando certo no final.

Estou num trem a caminho de Debrecen, a cidade em que vou morar durante 5 semanas de intercâmbio. Deixo Budapeste pra trás e, meu Deus, que cidade linda! Especialmente à noite 🙂

Acabei de ter uma mini-situ-conflituosa com uma família húngara porque eles todos queriam descobrir seus lugares e achavam que eu estava num deles (mas não estava, eu pergunto mil vezes a mesma informação pra pessoas diferentes pra ter certeza kkkk). Gente, que difícil! Ver eles sorrindo e rindo porque eu não entendia nada. Tô graduando em mimiquês aqui!!

Estou postando do celular pra dar um alô mesmo, pra minha mãe não achar que murri. Hahah

Deixo aí algumas das minhas fotos favoritas de Budapeste.
Beijo no coração, volto com notícias de Debrecen!

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as fotos sumiram :/

23 primeiras impressões além mar

1. A fila para checar o passaporte sempre será imensa;

2. Mesmo que não haja carros na rua, as pessoas esperam o sinal para pedestres ficar verde para atravessar;

3. As mulheres ficam de biquini em parques e tomam sol;

4. Os restaurantes servem comida esquentada e não feita  na hora (salvo raras exceções);

5. E algumas carnes ficam em bandejas, cruas, pra você pegar a quantidade que quiser e entregar pro churrasqueiro assar;

6. Água pode ter o sabor que você quiser, inclusive o de água mesmo. Dá até pra escolher entre gaseificada, médio-gaseificada e natural;

7. As casas não possuem ralos e muito menos rodos;

8. A arquitetura é linda, antiga e detalhista. Todo prédio vale uma foto, mesmo os mais empoeirados;

9. Olá e Tchau são a mesma coisa: “szia” (pronuncia-se “see ya”);

10. Assim como “Com licença” e “Desculpe”: “elnézést” (pronuncia-se “élézixxt”);

11. Os banheiros não possuem latas de lixo (e se você diz que no Brasil tem, escuta um “urrrghh”);

12. As construções são impressionantemente grandes e cheias de história, cada pedacinho tem algo a dizer;

13. Ter medo de andar e se perder;

14. Estudante é estudante húngaro e a sua carteira de estudante internacional não vale muita coisa;

15. Todo lugar na Europa tem um restaurante turco que fica aberto 24h, salvando vidas esfomeadas;

16. Há mais Spars por metro quadrado do que qualquer outra coisa em Budapeste;

17. Atendente de supermercado é carrancudo em qualquer lugar do mundo;

18. Ter uma moeda com muitos zeros é muito difícil de entender;

19. Sempre pode ter um camelô logo no subsolo abaixo de um shopping chique;

20. Nem todo mundo sabe falar inglês, mas pra ajudar sempre tem um que tenta;

21. Os gringos são mesmo bonitos e usam muitas bermudas coloridas meio curtas, com as barras dobradas;

21. O corte de cabelo masculino da moda europeia é “rapado dos lados e jogado pro lado”;

22. E que a saudade só aperta porque você tem motivos para amar 🙂

Rafaella no coração dos magiares

Estou ensaiando este texto desde o dia em que comprei minhas passagens com destino à Budapeste. A gente que é goiano de pé rachado e nunca viu um avião internacional na vida, se enche de dúvidas e questionamentos sobre como deve ser o mundo além fronteiras brasileiras.

São só 2 meses de viagem, mas o coração tá acelerado. O quanto se pode aprender em um intercâmbio de 6 semanas? O quão se pode conhecer do mundo em 60 dias?

Recebi um email de Manasi, uma indiana que também é intercambista do projeto, tão cheia de dúvidas quanto eu. Estamos conversando, ansiosas de trabalharmos juntas em Debrecen. Aos que ainda não estão inteirados, iremos trabalhar em um campo de refugiados administrado pelo escritório de imigração da Hungria, em Debrecen. Posso dizer que em alguns metros quadrados terei a oportunidade de conhecer mais do mundo, eu espero.

Tô com medo de ler tudo em Húngaro e não entender; tô treinando mimiquês pra falar com as famílias árabes que moram no campo; tô segurando as bica pra não gastar a toa e poder viajar o máximo que puder (carpe diem enquanto o dinheiro suado permite); tô ansiosa pra ver qualequié a do Chico Buarque sobre Budapeste; mas tô bem mais ansiosa pra ser um impacto na vida de alguém, pra receber conhecimento e ensinar, se eu puder.

Daqui uns dias estou indo e pra quem tá curioso, como eu, pra saber o que vai ser de mim no coração da Hungria, um outro intercambista que já fez o mesmo projeto pela AIESEC deixou sua contribuição bem aqui: http://experience.aiesectoronto.com/?p=257. Tá em inglês, mas nada que um tradutor não resolva.

Depois de ler isso fiquei bem mais ansiosa, se posso dizer 🙂

Vou registrar aqui as minhas experiências do intercâmbio, assim nada fica perdido em posts aleatórios no Facebook e no Instagram.

Viszlát!

20 dicas para você ser um bom machista

Você aí, ser humano de qualquer espécie, qualidade, gênero, beleza e vontade, que quer andar pelas ruas provando a superioridade dos genes XY, execute todas as dicas selecionadas aqui e você obterá sucesso total em sua missão!

  1. Quando estiver no ônibus/metrô/trem/avião/rua, faça questão de esbarrar sua genitália – seja ela qual for – nas nádegas da mulher mais próxima, apenas para satisfazer seu prazer. (Selecione. Machistas selecionam, se for a sua mãe, não pode fazer. PERMANEÇA NO IDEAL!)
  2. Se ver qualquer mulher na rua, grite sem mostrar qualquer vergonha: “quero te comer, gostosa”. Espere os aplausos machistas depois. You go, bro!
  3. Se qualquer mulher lhe preparar uma refeição deliciosa, agradeça e cumprimente com um convicente e afável “tá pronta pra casar, hein”. (OBS.: Se ela for casada, troque por “não fez mais que sua obrigação”)
  4. Se ouvir uma fofoquinha básica sobre fulano que traiu fulana, comente que o homem procura na rua o que não tem em casa. Os tempos estão mesmo difíceis
  5. Faça questão de pregar a moral e os bons costumes ao ensinar seus filhos “homens heterossexuais do sexo masculino” que “homem não chora”. “Bicha” chora, mas bicha não é homem.
  6. Não se esqueça de abordar que é um DESRESPEITO EM CAPS LOCK homens serem “empregados domésticos”, pelo simples fato de que é “tarefa de mulher” saber cuidar de uma casa.
  7. NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, dê uma boneca para seu filho brincar quando for criança.
  8. Há uma moça andando na rua, “de saia, de bicicletinha, uma mão vai no guidão e a outra tapando a calcinha”. Aproveite para cantar este mantra enquanto pragueja o quanto as mulheres não se dão ao respeito.
  9. Aproveite! No item 8, pense/diga/aja (depende da corági) no quanto elas merecem ser estupradas por isso. Pode bater também, por qualquer motivo. Cadê o decoro nessa sociedade, cabô?
  10. Uma moça qualquer quer dividir a conta com você. Não deixe (todas as vezes). Já que você não pode impedi-la de trabalhar (dica bônus: se puder, FAÇA), diga carinhosamente que sua renda é para investir em produtos de beleza e emagrecimento.
  11. Sua esposa tem obrigação de transar com você sempre que você quiser. Lembre-se de manter a santidade reprodutora do casamento. Ela está ali ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE para lhe satisfazer.
  12. Sexo antes do casamento, oi? Fora de cogitação. (OBS 1: Válido somente para mulheres. Se for homem, MANTENHA-SE NO IDEAL. Ensine suas filhas. OBS 2: Toda e qualquer mulher que não seja virgem entra na categoria: pagã [ou vadia, em 2014])
  13. Ao ver um protesto feminista, NÃO HESITE. Eles estão aí pra te confundir. Poste na sua rede social favorita o quanto as russas ficam bonitas com os peitos de fora e que “mulher boa é mulher calada”. Se quiser aumentar o poder do seu machismo, diga que são “tudo mal comida”.
  14. Aliás, “tudo mal comida” e suas variações é uma frase que você pode usar sempre. Mulher gay? Mal comida. Homem gay? A mãe era mal comida. Reclamou do marido provedor da moral e dos bons costumes? Mal comida. É seu dever fazer elas serem bem comidas
  15. Toda mulher loira é burra. Não há exceção. Se o cabelo for de outra cor também. (OBS.: Não é válido para mães ou avós, só a dos outros.)
  16. Toda mulher é desprovida de capacidade de trocar um pneu de carro, trocar uma lâmpada, montar um móvel, insira aqui alguma tarefa aparentemente masculina. Sempre ofereça sua ajuda. Mas a ajuda não é para ser cordial, é mais um “toma me dá que você não sabe fazer”. E elas não sabem mesmo.
  17. Mulher que não quer ter filhos é um desperdício da existência. Pra quê #ppk se não vai usar? ALGUÉM tem que reproduzir o nome da família (e ler essa lista)
  18. Repita: MULHER NO VOLANTE, PERIGO CONSTANTE. Mulher no volante, perigo constante. Mulher no volante…
  19. https://www.facebook.com/SouMachistaSimEDai/posts/411774815598648?stream_ref=10. LEIA. Não deixe de ler.
  20. Machismo bom é machismo consistente. Repita os passos diversas e diversas vezes. Se alguma mulher titubear ou quiser contestar seus passos, volte ao passo 14 e o refaça.

 

Lembre-se: MANTENHA-SE NO SEU IDEAL. Liberdade de expressão e opressão SÃO a mesma coisa, bro!
Seguindo estes e outros passos você continuará perpetuando os valores da supremacia XY que construíram a nossa sociedade! Não desista, a esperança é a última que morre 🙂

Das pequenas felicidades

Cumprir as novas metas está sendo bem difícil. Deixar de ser onicófaga, organizar a vida, espantar a preguiça e postar aqui regularmente. Daí, a gente percebe que a vida atribulada, a preocupação financeira e a alta carga de tarefas diárias faz a gente ir se esquecendo que a vida é composta de pequenas felicidades. Aquelas não tão efêmeras, mas que no instante do presente nos fazem sentir completos, saciados, risonhos; como se uma chama fosse crescendo no peito, passando pelas cordas vocais para, enfim, sair em um suspiro acalorado: “puta que pariu como eu amo isso“.
Se a sua vida está em falta de “puta que parius” como esses, trate logo de criar uma Happy Life List antes que você chegue naquele momento fatídico de criar uma Bucket List. Mas, antes de elencar as pequenas coisas da vida que nos fazem felizes e então praticá-las, é preciso refletir: você sabe o que é felicidade?

“A felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior.”

Felicidade é um conceito subjetivo, acredito que é a única coisa que podemos atestar. Depende de sentimentos, experiências, emoções, sensações, olhares e concepções de mundo e isso é particular, é íntimo a cada indivíduo. Minha visão de felicidade é muito compartilhada com a visão do mestre Osho, que diz sobre a essência da vida e a  miséria a que nos submetemos. Veja só:

A RECOMPENSA EM FELICIDADE

“A miséria tem muitas coisas para lhe dar que a felicidade não pode dar. De fato, a felicidade tira muitas coisas de você. A felicidade tira tudo aquilo que você sempre teve, tudo aquilo que você sempre foi, a felicidade lhe destrói. A miséria nutre seu ego e a felicidade é basicamente um estado sem ego. Este é o problema, o ponto crucial do problema. Eis porque as pessoas acham muito difícil serem felizes.

Eis porque milhões de pessoas no mundo tem que viver na miséria… decidiram viver na miséria. Ela lhes dá um ego muito muito cristalizado. Sendo miserável, você é Feliz, mas você não é. Na miséria, a cristalização; na felicidade você fica dissolvido. Se isso for entendido, então as coisas ficam muito claras. A miséria lhe torna especial. Felicidade é um fenômeno universal, não há nada especial sobre ela. As árvores são felizes e os animais são felizes e os pássaros são felizes. Toda existência é feliz, exceto o homem. Sendo miserável, o homem se torna muito especial, extraordinário.

A miséria torna você capaz de atrair a atenção das pessoas. Quando você é miserável você é assistido, simpatizado, amado. Todo mundo começa a cuidar de você. Quem vai querer magoar uma pessoa miserável? Quem tem ciúmes de uma pessoa miserável? Quem vai querer ser contra uma pessoa miserável? Isso poderia ser muito maldoso. A pessoa miserável é cuidada, amada, assistida. Há um grande investimento na miséria. Se a esposa não for miserável o marido simplesmente tende a esquecê-la. Se ela for miserável o marido não pode se permitir a negligenciá-la. Se o marido for miserável toda a família, a esposa, as crianças, estão ao seu redor, preocupados com ele; isso dá grande conforto. A pessoa sente que ela não está só, a pessoa tem uma família, amigos.

Quando você está doente, depressivo, na miséria, os amigos vêm visitá-lo, vêm confortá-lo, vêm consolá-lo. Quando você está feliz, os mesmos amigos ficam com ciúmes de você. Quando você está realmente feliz, você vai ver que o mundo todo se voltou contra você. Ninguém gosta de uma pessoa feliz, porque a pessoa feliz fere os egos dos outros. Os outros começam a sentir, “Então você ficou feliz e nós ainda estamos rastejando na escuridão, na miséria e no inferno. Como você ousa ser feliz quando estamos todos em tal miséria!”

É claro que o mundo consiste de pessoas miseráveis e ninguém é bastante corajoso para ir contra o mundo inteiro; é muito perigoso, arriscado demais. É melhor se apegar à miséria, isso mantém você como parte da multidão. Feliz, você é um indivíduo; miserável, você é parte da multidão – Hindu, Maometano, Cristão, Indiano, Árabe, Japonês.

Feliz? Você sabe o que a felicidade é? Ela é Hindu, Cristã, Maometana?

A felicidade é simplesmente felicidade. A pessoa é transportada para um outro mundo. A pessoa não faz mais parte do mundo que a mente humana criou, a pessoa não é mais parte do passado, da feia história. A pessoa não é mais absolutamente parte do tempo. Quando você está realmente feliz, alegre,o tempo desaparece, o espaço desaparece.

Albert Einstein disse que no passado os cientistas costumavam pensar que haviam duas realidades – tempo e espaço. Mas ele disse que essas duas realidades não são duas – elas são duas faces de uma única realidade. Dessa forma ele cunhou a palavra espaço-tempo, uma única palavra. O tempo não é nada mais senão a quarta dimensão do espaço. Einstein não era um místico, senão ele poderia ter introduzido a terceira realidade também – o transcendental, nem espaço nem tempo. Isso também está lá, eu o chamo de testemunha. E uma vez que esses três estão lá, você tem toda a trindade. Você tem todo o conceito do trimúrti, as três faces do divino. Assim você tem todas as quatro dimensões. A realidade é quadrimensional: três dimensões de espaço e a quarta dimensão do tempo.

Mas há algo mais, que não pode ser chamado de quinta dimensão, porque não é a quinta realidade, é o todo, o transcendental. Quando você está feliz você começa a se mover para o transcendental. Isso não é social, isto não é tradicional, não tem nada a ver com a mente humana, de forma alguma.”

Osho, Extraído de: The Book of Wisdom
Fonte: www.osho.com

“Felicidade é um fenômeno universal, não há nada especial sobre ela. As árvores são felizes e os animais são felizes e os pássaros são felizes. Toda existência é feliz, exceto o homem. Sendo miserável, o homem se torna muito especial, extraordinário (…) A felicidade é simplesmente felicidade. A pessoa é transportada para um outr
o mundo. A pessoa não faz mais parte do mundo que a mente humana criou, a pessoa não é mais parte do passado, da feia história. A pessoa não é mais absolutamente parte do tempo. Quando você está realmente feliz, alegre,o tempo desaparece, o espaço desaparece.”
(OSHO, The Book of Wisdom)

E na luta do equilíbrio, de entrar em sintonia com a vida, cito aqui a minha Lista de Vida Feliz. Aquelas pequenas coisas que me espantam a tristeza de forma imediata. Não importa se clichê ou não, a minha Lista de Vida Feliz consiste em me mostrar, sempre que possível, que a felicidade é o que é e eu posso sê-la também. Muito mais do que ter felicidade, sê-la é, apenas, a vivência do que você é, em comunhão com o ambiente.
Depois de tanta filosofia e da revelação dos meus guilty pleasures, a minha lista é composta por (não está em ordem de importância):

  • Friends;
  • Elvis Presley;
  • Jane Austen;
  • Discutir acalouradamente um tema das RIs;
  • Cafuné do namorado;
  • Sorvete de casquinha;
  • Trakinas de morango;
  • Conseguir bordar algo que preste;
  • Poesia;
  • Fernando Pessoa;
  • Assistir desenhos na TV Cultura;
  • Abraço demorado;
  • Andar descalço;
  • Andar de meias;
  • Dormir de conchinha;
  • Mafalda;
  • Matilda;


  • Filmes da Disney;
  • Cheiro de roupa limpa;
  • Pudim;
  • Embonitar;
  • Segurar bebês;
  • Brincar com a Cacau;
  • Fazer xixi quando estou apertada;
  • Ir no asilo aos domingos;
  • Bilhetes escritos à mão;
  • Rir, rir, rir, rir, rir;
  • Cozinhar algo que preste;
  • Dançar de qualquer jeito;
  • Fritar um ovo e ele sair sem defeitos;
  • Ganhar presentes;
  • Tirar uma foto bonita;
  • Mil curtirs em um post meu no Facebook;


  • Cultivar bons amigos;
  • Mensagens de amor no whatsapp;
  • Brigadeiro;
  • Respirar direito depois da gripe;
  • Encontrar alguma coisa perdida;
  • Elogios;
  • Tirar lasquinha de pipoca da gengiva;
  • Cantar músicas sem errar a letra;
  • Pão Francês com manteiga quentinha;
  • Radiohead;
  • Descobrir novas bandas;
  • Clarice Lispector;
  • Macarrão sem culpa;
  • Cheiro de creme no corpo;
  • Mãos macias;
  • Sorrisos, muitos;
A lista não termina e é bom que seja assim, mutável. Pra eu poder adicionar mais coisas boas e felicidades diárias. Assim, lanço aqui um desafio: vai montar sua Lista de Vida Feliz?
Quero saber! 🙂

Sobre o frio

Goiânia está vivenciando baixas temperaturas depois de muitos anos! Nos últimos dias, a média foi 11º e tá todo mundo empacotadinho andando na rua haha. Isso me lembra quando em 2010 morei em Guarapuava – PR e, nessas mesmas condições, tinha gente de calça e camiseta na rua. Lá em Gorpa venta mais e o relevo é mais sinuoso, ou seja, mais ladeiras e mais friaca pra atormentar a população.
Daí eu aqui, de mãos geladas digitando, enroscada num cobertor, penso que o frio faz, realmente, a gente ser um pouco mais melancólico. É mais difícil, fisiologicamente falando, se acostumar num ambiente gelado que num ambiente quente. Mas há quem goste das temperaturas negativas, de poder andar de meia grossa, moletom, casaco e bota. Só que o frio é mais que isso, é mais que roupa quentinha ou um cardápio inusitado. O frio deixa a gente encolhido, carente de sol, carente de abraço. Quando morei pro lado do Sul, Sol, luz e calor eram as coisas que eu mais sentia falta.
Um bafo quente na nuca, poder andar sem parecer cebola. O dia é mais alegre quando é iluminado. A gente anda sorrindo sem medo de um vento frio gelar os dentes. Anda com as mãos soltas pra tocar a vida, sem estarem encolhidinhas dentro das luvas e bolsos. O céu é mais claro, colorido, sai o tom acinzentado e entra no coração da gente mais calor. Já fui mais melancólica, se reparar nos posts desse blog produzidos em 2008, eu ia pedir sempre um dia de frio pra acompanhar a minha misantropia. Há quem goste de um clima meio europeu, em que a temperatura é assim, baixinha, você anda de roupa chique e a neblina dá um ar mais blasé pro lugar. Mas eu te digo que, todo-santo-dia o coração pede uma mão quente que não vem do cobertor.
Faz um frio danado na Finlândia, nem faz Sol direito. Lá eles compram Sol, sabia? Faz um frio de lascar na Rússia, deu 40º esses dias e tem gente que morreu, literalmente, de calor. A vida é engraçada, no frio ou no calor tem sempre alguém se adaptando ou se remoendo ou se desdobrando pra ser qualquer coisa que não isso.
Mas aqui, debaixo do cobertor, de vez em quando querendo tirar as japonas do guarda-roupa e andar de bota, sinto falta do calor. E você, que acha de viver empacotado?

saudações a Madiba

“Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, da sua origem ou de sua religião. Para odiar, é preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas também podem aprender a amar” (Mandela)

Hoje, Mandela completa 95 anos. 18 de julho é o dia do Madiba, dia daquele que lutou pela liberdade num país confrontado por históricos problemas e dificuldades. Madiba é uma das referências que levo em minha carreira, não só pelo posicionamento diplomático mas também porque ele de certa forma diz aquilo que precisamos ouvir. Precisávamos ouvir sobre amor, paz, liberdade e comunhão no Apartheid. E Madiba nos citou as palavras.

Imagem: Céu em Degradê

Em janeiro do ano passado comecei (e não terminei) a ler Conversas que tive comigo, uma compilação das diversas cartas e mensagens enviadas por Mandela a seus familiares, amigos e inimigos durante seu tempo em prisão. Destaco aqui minha saudação a Madiba: poucos são os líderes que permanecem no coração e mente de um povo. Poucos são aqueles que inspiram gerações. E esse trecho de carta é, sem dúvida, uma de suas maiores contribuições para as minhas reflexões.

“(…) a cela é um lugar ideal para aprendermos a nos conhecer, para se vasculhar realística e regularmente os processos da mente e dos sentimentos. Ao avaliarmos nosso progresso como indivíduos, tendemos a nos concentrar em fatores externos, como posição social, influência e popularidade, riqueza e nível de instrução. Certamente são dados importantes para se medir o sucesso nas questões materiais, e é perfeitamente compreensível que tantas pessoas se esforcem tanto para obter todos eles. Mas os fatores internos são ainda mais decisivos no julgamento do nosso desenvolvimento como seres humanos.
     Honestidade, sinceridade, simplicidade, humildade, generosidade pura, ausência de vaidade, disposição para ajudar os outros – qualidades facilmente alcançáveis por todo indivíduo – são os fundamentos da vida espiritual. O desenvolvimento de questões dessa natureza é inconcebível sem uma séria introspecção,, sem o conhecimento de nós mesmos, de nossas fraquezas e nossos erros. Pelo menos – ainda que seja a única vantagem – a cela de uma prisão nos dá a oportunidade de examinarmos diariamente toda a nossa conduta, de superarmos o mal e desenvolvermos o que há de bom em nós.
       A meditação é diária, de uns 15 minutos antes de nos levantarmos, é muito produtiva nesse aspecto. A princípio, pode ser difícil identificar os aspectos negativos em sua vida, mas a décima tentativa pode trazer valiosas recompensas. Não se esqueça de que os santos são pecadores que continuam tentando.”

(fragmento de carta para Winnie Mandela, escrita na prisão de Kroonstad. 01.02.1975)