30.04.2008  

III – Para pequena

echelon-couple-copy

Era frio, era úmido
Era triste, olhos e corpos nus
E as confissões de amor que morrem na garganta?

Aurora respirando a escuridão
Ouves! É o vento…
interpela, cuidadoso, a manhã
e o desalento
O amor, querida, não esconde o pejo
Era quente, era seco
era indagação

Os teus olhos molhados postos nos meus
reclinas tua cabeça na minha
a boca que é tua, céu
secretamente, entre a sombra e a alma.

Vem tocar o fogo do azul instantâneo
porque o amor não pode voar sem deter-se
Ninguém saberás que foi só delicadeza
Tu és total e breve, de todas és uma
balida de ternura, crepúsculo meu.


29.04.2008  

II – Simples demais

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Oil on Canvas Reproduction of Girl Looking at Landscape 1957 by Richard Diebenkorn

Em meio a seus pensamentos abstratos, ela olhava. Olhava a vida em seu jeito predominantemente inutil. Sozinha, debruçada na janela, ela pensava naquilo que um dia a fez sentir-se mais menina. Sonhos? Aspiraçoes. Debruçada na janela ela olhava a rua de um jeito triste.Vontade de chorar. Chorar lagrimas pesadas de um amor esquecido.Chorar as lagrimas de felicidade que ha tempos nao rolavam sobre seu rosto moreno.Plantava girassois. Girassois da esperança. Ela plantava girassois e,em cada petala da flor delicada, ela via-se mais sozinha que amada. Lembrou,ali debruçada,daquele que a fizera sorrir momentos antes.Um sorriso ardente, singelo,radiante. Ha dias nao sorria daquela maneira. E todas as vezes que lhe lembrava o nome,seu coraçao parecia bater em ritmo desordenado. Vontade de chorar. Como a fazia bem, aquela companhia solitaria, aquele intelecto que desejara sempre em seus pensamentos de menina. Debruçada na janela, sozinha, a menina-mulher olhava a rua nao mais tristemente,mas olhava de maneira que qualquer um que por aquele momento passasse, percebia em seus olhos o misterio de uma menina viva. Como a fazia bem! Como fazia bem lembrar seu nome, o gesto, o carinho subjetivo, os adjetivos doces que eram ditos na simplicidade de dois sentimentos que batiam juntos, do ter e nao possuir, do pensar sem obter, do imaginar melancolico de uma menina emotiva. Talvez? E como se esse momento de felicidade fosse apenas uma amostra do sentimento existente, ela volta a olhar a rua tristemente.Tinha medo.Medo de se deixar levar por seus pensamentos de menina. Uma angustia que a revigorava dia apos dia, ele era um pequeno sonho que a fazia sorrir nas noites vagas.Apesar do medo,ela gostava. Gostava de se sentir assim,sozinha acompanhada,absorta em seus pensamentos conflituosos enquanto olhava a rua. E continuara’ a lembrar sempre do nome e da alma daquele que a fizera sorrir momentos antes. Debruçada na janela,um girassol começava a germinar. Fruto de seus pensamentos verdejantes do companheiro lembrado? Era ele que a fazia bem e pra ela isso bastava.Pequenos momentos de felicidade enquanto olhava a rua de maneira triste. E a vida passava,o tempo corria. Debruçada na janela, seu olhar era o mais enigmatico da menina esquecida de um dia comum. E esperava; esperava pra ter novamente essas pequenas felicidades,num desejo abafado e muito seu de que um dia pudesse senti-lo por completo…o solitario e misterioso companheiro da menina dos girassois que brilhavam;

Ps: nao acentuei por problemas de configuração de teclado.

22.01.2008  

I – sorte

Acordar, manhã azeda, sol tatuado, sono. Banho, roupa, café, escovar os dentes, vazio no peito. Responsabilidades, alegria, entusiasmo, falta alguma coisa. Estudo, trabalho, caráter, loucura, amizades, o vazio que preenche o nada. Noite, cair do sol, desejo amargo, dia ruim. Borboletas bêbadas, brigas, discussões, carinho. O vazio que preenche a cabeça e não traz de volta aquilo que foi. Vontade, ah, eterna vontade. Vontade de sentir a brisa confortável vinda das mãos que afagam suas dores num eterno e necessário abraço. Calúnias, resquícios, hieróglifos da alma. Dor, sentimento, coração. A necessidade eloqüente de um abraço.

Frederick-McCubbin-xx-Down-on-His-Luck

Frederick McCubbin – Down on His Luck

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