21.08.2014  

23 outras impressões além mar

1. Não existem cachorros de rua na Hungria. A venda de filhotes é controlada e os animais são castrados. Sempre estão com coleiras e acompanhados de seus donos;

2. Cachorro ou gato, não importa o tamanho, vai ser seu companheiro no trem durante longas viagens;

3. Andar desavisada na via para ciclistas é pedir para ser xingada (e atropelada, sem dó);

4. As moscas são lentas, grandes e pesadas, voam baixo e enchem muito o saco nas noites de sono;

5. Joaninhas são animais comuns aqui. Já vi várias, de diferentes cores e tamanhos;

6. Húngaro AMA uma fonte. Em qualquer cidade, por menor que seja, sempre vai ter uma fonte com uma estátua bonita;

7. Mendigos, muitos. Muitos mendigos. Mendigos demais.

8. O chuveiro brasileiro é quase uma criação alienígena para os europeus. Eles preferem banhar com mangueirinha;

9. Alguns europeus realmente não tomam banho, mesmo no verão;

10. Duas realidades podem ser completamente diferentes e estarem na mesma cidade: a liberdade e a prisão;

11. As duas frases mais faladas no campo de refugiados são: “NAM PROBLEMA” e “FINISHH” (escritas da forma como se fala);

12. Os estereótipos sobre os países do Oriente Médio ficam todos no chinelo quando se conhece melhor as pessoas;

13. E alguns outros estereótipos são confirmados dependendo do indivíduo que se conversa;

14. Crianças são capazes de entender qualquer coisa, e muito rápido;

15. O mimiquês bem treinado ainda é a língua mais falada no mundo;

16. Sentir um apreço muito grande por uma pessoa que você nunca tinha falado antes, mas dividiu uma vida com você em poucos dias;

17. Húngaros que não falam inglês QUASE NUNCA se darão ao trabalho de tentar te ajudar;

18. O atendimento europeu é assim, sabe, meio rude;

19. Evitar, de todas as maneiras, comer comida húngara e ter no Burguer King o seu melhor amigo;

20. Esquecer a sacola todas as vezes que for no supermercado e descobrir as verduras e carnes mais aliens do universo;

21. Não existe mortadela pra se fatiar; aquelas em formato de um salsichão, sabe as da Turma da Mônica? Poisé, não tem. Nem leite condensado. Aliás, eles nem sabem o que é leite condensado. Carne moída de vaca? Também não.

22. Semente de girassol é um lanchinho nutritivo e universal. Gente do mundo todo, de diferentes culturas, comem e dividem entre si.

23. O facebook árabe ou persa é formatado da direita pra esquerda. Imagina o seu facebook espelhado: é bem assim.

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Debrecen, Hungria

01.07.2014  

Rafaella no coração dos magiares

Estou ensaiando este texto desde o dia em que comprei minhas passagens com destino à Budapeste. A gente que é goiano de pé rachado e nunca viu um avião internacional na vida, se enche de dúvidas e questionamentos sobre como deve ser o mundo além fronteiras brasileiras.
São só 2 meses de viagem, mas o coração tá acelerado. O quanto se pode aprender em um intercâmbio de 6 semanas? O quão se pode conhecer do mundo em 60 dias?
Recebi um email de Manasi, uma indiana que também é intercambista do projeto, tão cheia de dúvidas quanto eu. Estamos conversando, ansiosas de trabalharmos juntas em Debrecen. Aos que ainda não estão inteirados, iremos trabalhar em um campo de refugiados administrado pelo escritório de imigração da Hungria, em Debrecen. Posso dizer que em alguns metros quadrados terei a oportunidade de conhecer mais do mundo, eu espero.
Tô com medo de ler tudo em Húngaro e não entender; tô treinando mimiquês pra falar com as famílias árabes que moram no campo; tô segurando as bica pra não gastar a toa e poder viajar o máximo que puder (carpe diem enquanto o dinheiro suado permite); tô ansiosa pra ver qualequié a do Chico Buarque sobre Budapeste; mas tô bem mais ansiosa pra ser um impacto na vida de alguém, pra receber conhecimento e ensinar, se eu puder.
Debrecen
Daqui uns dias estou indo e pra quem tá curioso, como eu, pra saber o que vai ser de mim no coração da Hungria, um outro intercambista que já fez o mesmo projeto pela AIESEC deixou sua contribuição bem aqui: http://experience.aiesectoronto.com/?p=257. Tá em inglês, mas nada que um tradutor não resolva. 
Depois de ler isso fiquei bem mais ansiosa, se posso dizer 🙂
Vou registrar aqui as minhas experiências do intercâmbio, assim nada fica perdido em posts aleatórios no Facebook e no Instagram.
Viszlát!