18.01.2014  

Casacos de Lã

*Produção de texto para as aulas de redação. Tema: Solidariedade. Gênero: Fábula. Máximo 40 linhas. 11/05/09

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       Era um dia de verão e os animais da fazenda queriam se refrescar. As tardes escaldantes fizeram com que bebessem e banhassem num córrego atrás das plantações como se cada gota fosse milagrosa, vinda dos céus. Infelizmente, não vieram.
       Dr. Veterinário visitou a fazendo poucos dias depois e constatou que todos os animais haviam ingerido, em grande quantidade, uma substância tóxica que estava no córrego contaminado. Adoeceriam e não teriam mais que uma semana de vida.
              – Era por isso a água escura e fedida! – disse a Galinha – O que faremos agora? Antes de morrermos?
              – Pelas leiteiras industriais, eu não fiz tudo que devia ter feito em vida – lamentou a Vaca – como posso tirar o atraso em sete dias?
              – Não nos resta nada a fazer, nosso fim se aproxima – revelou o porco Sabido – tentemos fazer de nossa morte leito da felicidade!
              – Pois bem! Vou já me preparar para ganhar a competição na sexta. Se ganhar, terei cascos de ouro e meu caixão ficara reluzindo! Enfim serei feliz! – empolgou o Cavalo.
              – Aquela água contaminada deixou minhas lindas penas brancas uma sujeira! Não posso morrer feia, o que os gansos do céu pensarão quando eu chegar? Passarei meu fim cuidando de minha beleza! Enfim serei feliz! – contentou a Pata.
              – E porque não descobrir a cura de algo incurável? – disse o porco Sabido – Ou melhor, controlar epidemias! Vou me esforçar e ganhar o prêmio “Suínobel” encontrando o controle da gripe suína! Enfim morrerei feliz!
              – Sentarei e esperarei. Farei da solidão meu alento; morrer me agoniza – resmungou a Coruja.
              – Farei casacos para todos com minha lã – animou Dona Ovelha – para que durmamos quentes e protegidos, acolhidos em nossos sonhos pela amizade que temos. Enfim seremos felizes!
              – Bobagem! Procurarei moedas e coisas de valor – gananciou o Rato – Enfim serei feliz, não posso morrer tão pobre, procurando migalhas!
       E os animais da fazenda empenharam-se tanto durante a semana que conseguiram alcançar seus objetivos. Controlando epidemias, embelezando-se, pegando riquezas, reluzindo em cascos de ouro ou engolindo a solidão. Todavia, todos esses meios não tiraram dos corações dos animais o medo de dormirem e não mais acordarem; todos, exceto Dona Ovelha, que se divertia tricotando os casacos.
       Dona Ovelha, no último dia da semana, cantou uma canção de ninar que embalou as mentes dos amigos e nua, sua lã aquecia a todos, mas não triste, percebeu que aquecidos eles se uniam menos medrosos, diante do elo fraterno: os casacos de lã solidários e fraternos que havia feito.
       Dona Ovelha morreu feliz pois se preocupou em ajudar. Da morte dos outros, nunca se soube. Não sorriam no caixão.
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