04.09.2013  

Das pequenas felicidades

Cumprir as novas metas está sendo bem difícil. Deixar de ser onicófaga, organizar a vida, espantar a preguiça e postar aqui regularmente. Daí, a gente percebe que a vida atribulada, a preocupação financeira e a alta carga de tarefas diárias faz a gente ir se esquecendo que a vida é composta de pequenas felicidades. Aquelas não tão efêmeras, mas que no instante do presente nos fazem sentir completos, saciados, risonhos; como se uma chama fosse crescendo no peito, passando pelas cordas vocais para, enfim, sair em um suspiro acalorado: “puta que pariu como eu amo isso“.
Se a sua vida está em falta de “puta que parius” como esses, trate logo de criar uma Happy Life List antes que você chegue naquele momento fatídico de criar uma Bucket List. Mas, antes de elencar as pequenas coisas da vida que nos fazem felizes e então praticá-las, é preciso refletir: você sabe o que é felicidade?

“A felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior.”

Felicidade é um conceito subjetivo, acredito que é a única coisa que podemos atestar. Depende de sentimentos, experiências, emoções, sensações, olhares e concepções de mundo e isso é particular, é íntimo a cada indivíduo. Minha visão de felicidade é muito compartilhada com a visão do mestre Osho, que diz sobre a essência da vida e a  miséria a que nos submetemos. Veja só:

A RECOMPENSA EM FELICIDADE

“A miséria tem muitas coisas para lhe dar que a felicidade não pode dar. De fato, a felicidade tira muitas coisas de você. A felicidade tira tudo aquilo que você sempre teve, tudo aquilo que você sempre foi, a felicidade lhe destrói. A miséria nutre seu ego e a felicidade é basicamente um estado sem ego. Este é o problema, o ponto crucial do problema. Eis porque as pessoas acham muito difícil serem felizes.

Eis porque milhões de pessoas no mundo tem que viver na miséria… decidiram viver na miséria. Ela lhes dá um ego muito muito cristalizado. Sendo miserável, você é Feliz, mas você não é. Na miséria, a cristalização; na felicidade você fica dissolvido. Se isso for entendido, então as coisas ficam muito claras. A miséria lhe torna especial. Felicidade é um fenômeno universal, não há nada especial sobre ela. As árvores são felizes e os animais são felizes e os pássaros são felizes. Toda existência é feliz, exceto o homem. Sendo miserável, o homem se torna muito especial, extraordinário.

A miséria torna você capaz de atrair a atenção das pessoas. Quando você é miserável você é assistido, simpatizado, amado. Todo mundo começa a cuidar de você. Quem vai querer magoar uma pessoa miserável? Quem tem ciúmes de uma pessoa miserável? Quem vai querer ser contra uma pessoa miserável? Isso poderia ser muito maldoso. A pessoa miserável é cuidada, amada, assistida. Há um grande investimento na miséria. Se a esposa não for miserável o marido simplesmente tende a esquecê-la. Se ela for miserável o marido não pode se permitir a negligenciá-la. Se o marido for miserável toda a família, a esposa, as crianças, estão ao seu redor, preocupados com ele; isso dá grande conforto. A pessoa sente que ela não está só, a pessoa tem uma família, amigos.

Quando você está doente, depressivo, na miséria, os amigos vêm visitá-lo, vêm confortá-lo, vêm consolá-lo. Quando você está feliz, os mesmos amigos ficam com ciúmes de você. Quando você está realmente feliz, você vai ver que o mundo todo se voltou contra você. Ninguém gosta de uma pessoa feliz, porque a pessoa feliz fere os egos dos outros. Os outros começam a sentir, “Então você ficou feliz e nós ainda estamos rastejando na escuridão, na miséria e no inferno. Como você ousa ser feliz quando estamos todos em tal miséria!”

É claro que o mundo consiste de pessoas miseráveis e ninguém é bastante corajoso para ir contra o mundo inteiro; é muito perigoso, arriscado demais. É melhor se apegar à miséria, isso mantém você como parte da multidão. Feliz, você é um indivíduo; miserável, você é parte da multidão – Hindu, Maometano, Cristão, Indiano, Árabe, Japonês.

Feliz? Você sabe o que a felicidade é? Ela é Hindu, Cristã, Maometana?

A felicidade é simplesmente felicidade. A pessoa é transportada para um outro mundo. A pessoa não faz mais parte do mundo que a mente humana criou, a pessoa não é mais parte do passado, da feia história. A pessoa não é mais absolutamente parte do tempo. Quando você está realmente feliz, alegre,o tempo desaparece, o espaço desaparece.

Albert Einstein disse que no passado os cientistas costumavam pensar que haviam duas realidades – tempo e espaço. Mas ele disse que essas duas realidades não são duas – elas são duas faces de uma única realidade. Dessa forma ele cunhou a palavra espaço-tempo, uma única palavra. O tempo não é nada mais senão a quarta dimensão do espaço. Einstein não era um místico, senão ele poderia ter introduzido a terceira realidade também – o transcendental, nem espaço nem tempo. Isso também está lá, eu o chamo de testemunha. E uma vez que esses três estão lá, você tem toda a trindade. Você tem todo o conceito do trimúrti, as três faces do divino. Assim você tem todas as quatro dimensões. A realidade é quadrimensional: três dimensões de espaço e a quarta dimensão do tempo.

Mas há algo mais, que não pode ser chamado de quinta dimensão, porque não é a quinta realidade, é o todo, o transcendental. Quando você está feliz você começa a se mover para o transcendental. Isso não é social, isto não é tradicional, não tem nada a ver com a mente humana, de forma alguma.”

Osho, Extraído de: The Book of Wisdom
Fonte: www.osho.com

“Felicidade é um fenômeno universal, não há nada especial sobre ela. As árvores são felizes e os animais são felizes e os pássaros são felizes. Toda existência é feliz, exceto o homem. Sendo miserável, o homem se torna muito especial, extraordinário (…) A felicidade é simplesmente felicidade. A pessoa é transportada para um outr
o mundo. A pessoa não faz mais parte do mundo que a mente humana criou, a pessoa não é mais parte do passado, da feia história. A pessoa não é mais absolutamente parte do tempo. Quando você está realmente feliz, alegre,o tempo desaparece, o espaço desaparece.”
(OSHO, The Book of Wisdom)

E na luta do equilíbrio, de entrar em sintonia com a vida, cito aqui a minha Lista de Vida Feliz. Aquelas pequenas coisas que me espantam a tristeza de forma imediata. Não importa se clichê ou não, a minha Lista de Vida Feliz consiste em me mostrar, sempre que possível, que a felicidade é o que é e eu posso sê-la também. Muito mais do que ter felicidade, sê-la é, apenas, a vivência do que você é, em comunhão com o ambiente.
Depois de tanta filosofia e da revelação dos meus guilty pleasures, a minha lista é composta por (não está em ordem de importância):

  • Friends;
  • Elvis Presley;
  • Jane Austen;
  • Discutir acalouradamente um tema das RIs;
  • Cafuné do namorado;
  • Sorvete de casquinha;
  • Trakinas de morango;
  • Conseguir bordar algo que preste;
  • Poesia;
  • Fernando Pessoa;
  • Assistir desenhos na TV Cultura;
  • Abraço demorado;
  • Andar descalço;
  • Andar de meias;
  • Dormir de conchinha;
  • Mafalda;
  • Matilda;


  • Filmes da Disney;
  • Cheiro de roupa limpa;
  • Pudim;
  • Embonitar;
  • Segurar bebês;
  • Brincar com a Cacau;
  • Fazer xixi quando estou apertada;
  • Ir no asilo aos domingos;
  • Bilhetes escritos à mão;
  • Rir, rir, rir, rir, rir;
  • Cozinhar algo que preste;
  • Dançar de qualquer jeito;
  • Fritar um ovo e ele sair sem defeitos;
  • Ganhar presentes;
  • Tirar uma foto bonita;
  • Mil curtirs em um post meu no Facebook;


  • Cultivar bons amigos;
  • Mensagens de amor no whatsapp;
  • Brigadeiro;
  • Respirar direito depois da gripe;
  • Encontrar alguma coisa perdida;
  • Elogios;
  • Tirar lasquinha de pipoca da gengiva;
  • Cantar músicas sem errar a letra;
  • Pão Francês com manteiga quentinha;
  • Radiohead;
  • Descobrir novas bandas;
  • Clarice Lispector;
  • Macarrão sem culpa;
  • Cheiro de creme no corpo;
  • Mãos macias;
  • Sorrisos, muitos;
A lista não termina e é bom que seja assim, mutável. Pra eu poder adicionar mais coisas boas e felicidades diárias. Assim, lanço aqui um desafio: vai montar sua Lista de Vida Feliz?
Quero saber! 🙂
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