22.02.2013  

Vem cá

vem cá, vamos conversar

me fala da sua vida, 
do que você mais gosta de comer
da sua cor preferida, 
no que você pensa quando vê o mar
você quer viver de quê? 
quer viver porquê? 
me diz se você sabe dançar, 
se você sabe que o seu coração é do tamanho do mundo

conversa comigo, 
fala pra mim dos seus anseios,
me diz quem é que conta seus passos, 
me diz seu café da manhã do ano passado e 
diz que é comigo que você quer acordar

fala pra mim que cheiro tem sua roupa,
que brinquedo foi o seu predileto
qual seu voo, sua escada
qual  é o gosto da vida na sua pele cansada
qual seu medo

vem cá, me diz qual a sua razão
me mostra a sua letra na sua carta de amor
me diz que amanhã o dia é bonito
e que nossa conversa vai durar o instante do presente
do segundo trocado
da verdade sentida
da voz na sua melodia
e da mão a escrever a história 
de quem tem muito a dizer no silêncio das almas.

25.12.2012  

Poema para Rafaella


“querida Rafaella
você é tão bonita
que quando você vem
eu olho pela janela
tudo rima com ela
até siriguela
e se você não gostar desse poema
eu te corto a guela”


(LIRA, Eduardo. 25/12/2012)

Dos meus presentes de Natal mais sinceros.



31.08.2010  

Canção de ninar

O que te prendes ao mundo?
Ouviste o sussurro do dia?
Os doces e hábeis burburinhos da vida te passam,
pequena

“Seja como a areia,
onde a onda vem bater”
a ti a velha árvore dizia
trespassada, adivinha
Pequena, as joias estão aí

o doce olhar inevitável,
tátil como a mão que aperta,
sufoca
voa o teu vôo livre
seja, pequena, seja

o sonho vai escalando estrelas
e os olhos cerram-se para a dor
enfrentam as fadas, pequena
e o sussurro vem,
sempre vem.

Cantam duas, três vezes
para te ver repousar sofrendo
amargurada pelo dia que é finito
Durma, pequena, durma
Na efemeridade o infinito é teu lar

Irá chegar, as asas nascerão
Ouves o vento?
O que diz ele, pequena?
São areia e onda, batendo
bloqueando nuvens

Ouvem o teu ninar,
Bebem de teus sonhos e,
Beijam-te os seios
e visitam seu leito sussurrando
gemendo

“seja como a areia,
onde a onda vem bater…”
Não entendes, pequena
Apenas seja em seu repousar
e então, as joias lhe tocarão os dedos.

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