Porque todos nós somos um pouco Walter Mitty

Não se preocupe, esse texto não contém spoilers.
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Eu sempre tive um pouco de receio quando atores de comédia resolvem fazer drama, mas isso foi aos poucos se perdendo quando passei a dar um crédito a mais a essas pessoas. Ben Stiller é uma delas. No seu genial A Vida Secreta de Walter Mitty, Ben dirige com muita sensibilidade o desenrolar da mudança pessoal vivida por Walter em suas andanças pelo mundo.

Eu tenho medo de avião. Muito medo. Então voltar do intercâmbio e pegar um vôo de 9h e 40min de Lisboa até Brasília não foi nada fácil, rs. Felizmente, Ben me apresentou um filme que me fez esquecer do medo pra mergulhar na história de Walter e acabar percebendo que todos nós temos um pouco da personagem. Tudo o que eu enfrentei no meu intercâmbio me fez conectar muito profundamente com a personagem. Todos nós somos, de algum modo, um pouco Walter Mitty.

Eis o porquê:

Vivemos na zona de conforto

Nossa vida é pacata, rotineira, organizada até na desordem. Temos tarefas, responsabilidades, e compromissos que, em muitos casos, ocupam o nosso tempo e nos impossibilitam de viver as grandes histórias que queremos viver. Não tomamos riscos, seja por estarmos tranquilos aonde estamos (e muitas vezes perdendo a chance de termos grandes aprendizados); seja por termos o medo de que tudo tragicamente mudará aquilo que nos é certo, virará nossa vida de cabeça pra baixo e de que a mudança pode nunca ter volta.

Nossa mente é nossa válvula de escape

Sonhamos acordados, criamos expectativas, forjamos situações que nunca acontecerão. A criatividade e a imaginação são a brecha para que as nossas vontades – se não podem ser reais – criem casa no meio da rotina chata, da vida infeliz, do relacionamento sem cor. A zona de conforto nem sempre é confortável, ainda há aquilo em nós que deseja o diferente, o romance mais bonito, a cena de ação mais alucinante, aquela ideia brilhante que vai salvar a todos. Se nada disso passa pelo crivo da lógica e da realidade, não há problema, há um espaço na nossa mente pra criar tudo isso e mais um pouco, como uma válvula de escape pra vida que a gente considera sem graça.

Quando temos determinação, vamos longe

Perseverança e coragem são sentimentos que todos nós temos; todos nós. No entanto, nem sempre temos disciplina ou um objetivo claro, uma vontade real que nos diga onde queremos chegar, o que queremos ser. É normal. Quando esse objetivo surge, motivado pelo que for, e a vida parece não fazer mais sentido sem que atinjamos aquele desejo, essas forças que até então desconhecíamos insurgem e nos fazem lutar. Movemos montanhas, criamos espaços, saímos da zona de conforto para tentar atingir aquilo que talvez seja inatingível, mas que queremos tanto. E o verdadeiro ganho de tudo isso muitas vezes não é o prêmio da conquista, mas a jornada que se caminha e se cresce até chegar lá.

Temos medo do desconhecido

É o que nos faz viver na zona de conforto. É o que é vencido quando temos real motivação. O medo do desconhecido é como andar cegos, sem guia, varando sem rumo, sem saber as consequências, vivendo por completo a impulsividade. É o medo de falhar. É o medo do insucesso. É o medo da morte. É o medo de ser melhor. É o medo de se olhar. É o medo de se vencer. É o medo de se doar. É o medo de acreditar. É o medo de ter fé. É o medo de arriscar. É o medo da frustração. É o medo da derrota. É o medo de merecer. É o medo de ter culpa. É o medo de abnegar. É o medo da renúncia. É o medo de desbravar. É o medo de se fortalecer. É o medo do medo. É o medo de saber que tudo isso pode não ser nada disso.

Quando a gente se abre, a vida mostra o que tem de melhor

Quando o medo fica em segundo plano e a coragem de ser o que a gente quer ser e de ir atrás dos nossos sonhos norteia as nossas escolhas, a vida nos retribui com largos aprendizados. Isso não significa vitórias da forma como esperamos; ela nos fornece novas formas de ver as mesmas coisas, novas experiências que vão lapidando aquilo que já temos de bom e que só faltava um esforço pra gente perceber. Quando a gente se abre pro desconhecido, a vida mostra que até a zona de conforto pode ser diferente se você vê diferente.

Somos muito mais do que imaginamos ser

Costumo dizer isso pras pessoas e adoto isso como um mantra pra minha vida. Como meu poema favorito diz: “para ser grande, sê inteiro: nada / teu exagera ou exclui”. Somos inteiros, mas não nos damos conta disso. Somos muito mais do que acreditamos ser. Sempre podemos mais do que pensamos poder. Acredito piamente na força do pensamento, nas realizações que fazemos de nós mesmos: somos autores da nossa felicidade, escritores da nossa história e somos completos. Temos todas as ferramentas para nos realizarmos de que aquilo que queremos ser já está em nós. Entretanto, estamos ainda inconscientes para o fato de que é preciso buscar dentro de si essas virtudes, burilar os defeitos. A busca íntima é complexa, mas, como dito agora há pouco, é preciso se abrir pra se perceber que o melhor já está dentro da gente. Somos muito, muito mais do que imaginamos ser.

Se você ainda não viu o longa, não perca tempo e vá ver. Talvez ele seja uma grande lição pra você como foi pra mim. Você pode ver o trailer aqui

Vem cá

vem cá, vamos conversar

me fala da sua vida, 
do que você mais gosta de comer
da sua cor preferida, 
no que você pensa quando vê o mar
você quer viver de quê? 
quer viver porquê? 
me diz se você sabe dançar, 
se você sabe que o seu coração é do tamanho do mundo

conversa comigo, 
fala pra mim dos seus anseios,
me diz quem é que conta seus passos, 
me diz seu café da manhã do ano passado e 
diz que é comigo que você quer acordar

fala pra mim que cheiro tem sua roupa,
que brinquedo foi o seu predileto
qual seu voo, sua escada
qual  é o gosto da vida na sua pele cansada
qual seu medo

vem cá, me diz qual a sua razão
me mostra a sua letra na sua carta de amor
me diz que amanhã o dia é bonito
e que nossa conversa vai durar o instante do presente
do segundo trocado
da verdade sentida
da voz na sua melodia
e da mão a escrever a história 
de quem tem muito a dizer no silêncio das almas.

O Meio

As coisas estão meio confusas esses dias e eu não tenho me sentido tão bem quanto gostaria. Mas alguém em algum lugar do mundo se preocupou com o meu pequeno desabafo e me enviou essa música que segue, sem saber quem eu era.

“it just take some time, little girl, you’re in the middle of the ride…”


The Middle – Jimmy Eat World

Hey, don’t write yourself off yet
It’s only in your head you feel left out or looked down on
Just try your best, try everything you can
And don’t you worry what they tell themselves when you’re away
It just takes some time
Little girl, you’re in the middle of the ride
Everything, everything will be just fine
Everything, everything will be alright, alright
Hey, you know they’re all the same
You know you’re doing better on your own, so don’t buy in
Live right now
Yeah, just be yourself
It doesn’t matter if it’s good enough for someone else
It just takes some time
Little girl, you’re in the middle of the ride
Everything, everything will be just fine
Everything, everything will be alright, alright
It just takes some time
Little girl, you’re in the middle of the ride
Everything, everything will be just fine
Everything, everything will be alright, alright
Hey, don’t write yourself off yet
It’s only in your head you feel left out or looked down on
Just do your best, do everything you can
And don’t you worry what the bitter hearts are gonna say
It just takes some time
Little girl, you’re in the middle of the ride
Everything, everything will be just fine
Everything, everything will be alright, alright
It just takes some time
Little girl, you’re in the middle of the ride
Everything, everything will be just fine
Everything, everything will be alright”


Smile

“smile, what’s the use of crying?”
interpretação: Nat King Cole
Smile, though your heart is aching
Smile, even though it’s breaking
When there are clouds in the sky
You’ll get by…
If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You’ll find that life is still worthwhile if you’ll just…
Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That’s the time you must keep on trying
Smile, what’s the use of crying?
You’ll find that life is still worthwhile
If you’ll just…
If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You’ll find that life is still worthwhile
If you’ll just Smile…
That’s the time you must keep on trying
Smile, what’s the use of crying
You’ll find that life is still worthwhile
If you’ll just smile…”