Bailarinar

De rodopios infantes eram feitos
dois pés que se cruzavam;
sapatilhas em róseo e calo
suavemente respirando justapostas
em pliés e tendus

melodiando, eles dançavam floridos
ritmar o vento que rodeia e leva o laço
girar e flutuar o negro cabelo
perder no sorriso
chorar a perda

a dor acomete o vestido
o olho úmido sonha Mozart
sangra em ponta
sofre em vida
sente em si

solucionam-se, pois
harmoniando em tristes tropeços
postura que lhe cai e serve como música
aos ouvidos,
aos pés dançarinos

Bailarinam
Bebem da fonte clássica da mistura
Bailarinam
sentimento, ritmo
Bailarinam
saudade, amor, amor, amor
Bailarinam
Degas pintou o emudecer…

Esqueceu o rosto, relembrou o passo
já não lembram mais identidade
pés tramitantes na
saga de doer o quadro
pliés de fuga, sapatilhas de brisa

e Degas sequer reconhece a boca que cala
o corpo que dói
o olho que chora;
emoção que gosta
bailarinar e se perder.

3 respostas para “Bailarinar”

  1. Aii eu já disse que achei mais bonito que o quadro do tal do Degas aí que pra mim é um menininho que faz balé e que ta ali no meio do poema ja que no quadro não aparece nenhum menininho se bem que tem um que tá de costas mas acho que tá de vestido.

    tá lindo o poema!

  2. pequena disse:

    Eu vi um número não despresível de DEGAS´S no D´Orsay. Nenhum deles me é tão próximo como o seu (poema). Beijos Rafaella Tagarela

  3. Rafaella, seu blog é uma delícia e esse poema foi uma grata surpresa =)

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