Carta ao desconhecido

Algum lugar, algum dia, algum ano.


Querido,


….Como numa falta de objetividade tamanha e numa vontade absurda de alcançar uma genialidade que não me pertence, num surto de incompreensões, é meus devaneios; embora tudo fosse surpreendentemente magnífico, é especial de uma maneira que me toca o sentimento, um pequeno sopro de carinho notável que transforma o que penso de mim, meus valores, em místico vão de divagações e expectativas. Tão pequeno, tão imperfeito.
….O fato é que é sempre bom sentir ou expressar um sentimento de reciprocidade, um modo de pertencer e entregar sensações de uma mente desfocada, perplexa e submersa em sorrisos e vontades. Aproximar-se da epifania e do prazer que trazem um dia ensolarado.
….Surgiste de uma maré de dúvidas, num pátio de sintonia melancólica como agora habitante de meus pensamentos mais distantes. Aprecio ter-lhe perto, em carinhos pequenos e tão significantes. Há em seus olhos escondidos algo que, no entanto, me frustra e ao mesmo tempo socorre, fascinante. Sinto-me frágil como um pequeno vaso decorado colorido que se quebra diante da força do vento; a racionalidade, os fixos conceitos cedem lugar a mãos trêmulas e suspiros frequentes.
….Desejo ser em ti uma gota de felicidade, que num dia vazio e em sua solidão peculiar minha vontade de lhe tirar um sorriso bobo fosse merecedora. Uma lembrança que permanece latente, viva, sempre.
….Lhe mando pequenas coisinhas que a mim pertenciam, objetos que fizeram parte de mim e que tem significado emocional considerável. Sei que a você não terão utilidade que não apenas ter em mãos pequenos fragmentos de uma menina-mulher, mas desejo compartilhar contigo mais de mim. Completará mais um ciclo de vida em breve e me agrada saber que ainda desejo imensas felicidades. Apesar do que venha a acontecer, gostaria que sua existência fosse carregada de novidades, novas lembranças e novos sorrisos.
….Sentirei-lhe falta quando voltar, percebi que havia me acostumado a saber que lhe tinha a metros distante. Estará sempre à minha memória como pedaço de mim, “metade exilada de mim”. Quando retornar, lembre-se que o passado não sentencia o futuro, o presente deve ser ardente como fulgor de primavera.

Adeus,
PS: Sinceras desculpas pelas emocionadas lágrimas, a cada dia que passa lhe desconheço mais e o escuro me dá medo…


Texto escrito em Julho de 2008

Uma resposta para “Carta ao desconhecido”

  1. Elvis disse:

    Pô, uma poeta advogada na linguagem, um contorno de profissão no que é da alma! bons tempos, Long time no see chuchu.

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