Peito Vazio

Hoje, 05:54h: Tentei diversas vezes vir ao Mantra, dispor do talento e preencher novamente o espaço que aqui se limita, com o ócio criativo que as experiências diárias me dão. No entanto, percebo que o que aqui fica são desprendimentos de mim, de um eu isolado que precisa harmonizar-se. Juntar novamente esses pequenos pedaços aqui deixados para que a existência não pareça tão conturbada.


Hoje, 04:14h: O sono é leve mas a cabeça é pesada. Acordo com preocupações, é um pai que se foi e deixa saudades, imensas. É uma Rafaella de solidão nos limites de um quarto, acompanhada por mãe e irmã aos arredores. Como Cecília, percebe a efemeridade dos momentos e decide ir à sala, deitar ao sofá e perceber a imensidão branca, homogênea e extremamente sutil que caracterizam o teto do apartamento.

Hoje, 06:00h: O dia devagar começa e o Mantra faz bem de novo. Sinto como se ele fosse um amigo inseparável, daqueles em que os maiores desapontamentos sequer são suficientes para causar insatisfação e distância. Lembro de uma frase que ouvi ontem e que preciso me afogar em seu sentido: “Quem enxuga lágrimas não tem tempo pra chorar.

Ontem, 23:58h: “Dorme em paz”, “eu quero ver você feliz”.

Hoje, 06:10h: Cartola aparece novamente e titula esses devaneios. O sono não mostra as caras mas o meu rosto é de cansaço. As luzes das janelas dos prédios vizinhos começam a se acender junto com o sol que ascende e traz uma nova esperança a cada trabalhador, sofrido, solitário, transeunte desajeitado da vida e quem sabe, para mim também.

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O texto que se seguiu é um devaneio, uma vontade. Não é, assim, um postulado de certeza. Foi escrito baseado na composição de Cartola, Peito Vazio

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