Sobre o frio

Goiânia está vivenciando baixas temperaturas depois de muitos anos! Nos últimos dias, a média foi 11º e tá todo mundo empacotadinho andando na rua haha. Isso me lembra quando em 2010 morei em Guarapuava – PR e, nessas mesmas condições, tinha gente de calça e camiseta na rua. Lá em Gorpa venta mais e o relevo é mais sinuoso, ou seja, mais ladeiras e mais friaca pra atormentar a população.
Daí eu aqui, de mãos geladas digitando, enroscada num cobertor, penso que o frio faz, realmente, a gente ser um pouco mais melancólico. É mais difícil, fisiologicamente falando, se acostumar num ambiente gelado que num ambiente quente. Mas há quem goste das temperaturas negativas, de poder andar de meia grossa, moletom, casaco e bota. Só que o frio é mais que isso, é mais que roupa quentinha ou um cardápio inusitado. O frio deixa a gente encolhido, carente de sol, carente de abraço. Quando morei pro lado do Sul, Sol, luz e calor eram as coisas que eu mais sentia falta.
Um bafo quente na nuca, poder andar sem parecer cebola. O dia é mais alegre quando é iluminado. A gente anda sorrindo sem medo de um vento frio gelar os dentes. Anda com as mãos soltas pra tocar a vida, sem estarem encolhidinhas dentro das luvas e bolsos. O céu é mais claro, colorido, sai o tom acinzentado e entra no coração da gente mais calor. Já fui mais melancólica, se reparar nos posts desse blog produzidos em 2008, eu ia pedir sempre um dia de frio pra acompanhar a minha misantropia. Há quem goste de um clima meio europeu, em que a temperatura é assim, baixinha, você anda de roupa chique e a neblina dá um ar mais blasé pro lugar. Mas eu te digo que, todo-santo-dia o coração pede uma mão quente que não vem do cobertor.
Faz um frio danado na Finlândia, nem faz Sol direito. Lá eles compram Sol, sabia? Faz um frio de lascar na Rússia, deu 40º esses dias e tem gente que morreu, literalmente, de calor. A vida é engraçada, no frio ou no calor tem sempre alguém se adaptando ou se remoendo ou se desdobrando pra ser qualquer coisa que não isso.
Mas aqui, debaixo do cobertor, de vez em quando querendo tirar as japonas do guarda-roupa e andar de bota, sinto falta do calor. E você, que acha de viver empacotado?

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